Descartei o amor, como se descarta uma roupa velha que colocamos no
saco de doações. Simples assim. Não servia mais para mim,
para alguém vai servir. E fui em buscas de roupas novas.
Encontrei algumas pelo caminho.
Com particularidades e transtornos. E descartei, uma a uma. Salvou-se uma exceção, talvez a que
deveria ter sido descartado primeiro.
Mas eu, que sempre fui tão racional, perdi para a emoção. Sabe aquela calça jeans que não serve quando vamos comprar, mas nos enganamos com a falsa
ilusão de que logo iremos emagrecer e entraremos nela? Ela fica ali, no fundo
do armário, de vez em quando, resolvemos arrumar a pilha e ficamos olhando, tentamos colocar de novo, e continua não
servindo.
Existem dois fins para esta calça: resolvo mudar meus hábitos e emagrecer ou doá-la para alguém necessitado. Doar é mais rápido, mais fácil, mais certo e
sei que fará mais alguém feliz. Porém, por não ser tão altruísta, prefiro
tentar emagrecer, mesmo sabendo que posso sofrer muito para alcançar meu
objetivo. Os dois fins são plausíveis e eu estou ciente de que para que essa
calça tenha algum deles, só depende de mim. O
que não dá mais é para ela ficar ali no armário, ocupando espaço e roubando
lugar de uma que pode servir bem. Ou a gente se acerta, ou ela será descartada. E isso só depende de mim.