quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


Nunca fui uma romântica nata. Não faço declarações de amor, não digo o que eu sinto. E esse é meu jeito, infelizmente ou não. Acho engraçado essas pessoas que encontram o amor da vida delas pelo menos quatro vezes por ano. Fazem as mesmas declarações, amam, amam, amam tanto que em três meses já trocaram. E partiram para outro. Mesmas coisas, mesmas músicas e mesmas posições para fotos.
Definitivamente, não tenho essa capacidade de me relacionar tão facilmente. Me considero tão gelada quanto um frigorífico. Me esforço muito para ser cordial, simpática. Sou desligada. Acredito que às vezes eu perco pessoas por não demonstrar o que sinto. Mas poxa vida, por que banalizar o “eu te amo”?
Muitas atitudes se sobrepõe à esse “eu te amo” manjado. Amor não é gripe, que pegamos sem querer e em três dias, estamos derrubados por ele. O amor é o construir junto. É curtir a companhia do outro, sendo numa balada ou em casa, completamente sem fazer nada. É admirar a pessoa, ficar orgulhoso dela. Levar ela no cinema para ver aquele filme que tu nem gosta tanto e ir no show da banda preferida dele. Saber que ela só toma refrigerante sem gelo.Ou seja, ser preocupar com a pessoa.
Amar é um exercício difícil. É muito mais fácil ficarmos sozinhos do que estar com alguém. Não precisar dar explicação, não precisar abrir mão das nossas vontades. A principal característica para amar é ser altruísta. Amar é saber que existe outras pessoas, que elas tem vontades e que tu pode ser importante para a felicidade delas. Amar é saber deixar alguém feliz. Claro que para isso, não é necessário ficar repetindo “eu te amo” e abrir mão da sua individualidade. Amar é somar e não consumir. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Entre amores e roupas.


Descartei o amor, como se descarta uma roupa velha que colocamos no saco de doações. Simples assim. Não servia mais para mim, para alguém vai servir. E fui em buscas de roupas novas.
Encontrei algumas pelo caminho. Com particularidades e transtornos. E descartei, uma a uma. Salvou-se uma exceção, talvez a que deveria ter sido descartado primeiro. Mas eu, que sempre fui tão racional, perdi para a emoção. Sabe aquela calça jeans que não serve quando vamos comprar, mas nos enganamos com a falsa ilusão de que logo iremos emagrecer e entraremos nela? Ela fica ali, no fundo do armário, de vez em quando, resolvemos arrumar a pilha e ficamos olhando, tentamos colocar de novo, e continua não servindo.
Existem dois fins para esta calça: resolvo mudar meus hábitos e emagrecer ou doá-la para alguém necessitado. Doar é mais rápido, mais fácil, mais certo e sei que fará mais alguém feliz. Porém, por não ser tão altruísta, prefiro tentar emagrecer, mesmo sabendo que posso sofrer muito para alcançar meu objetivo. Os dois fins são plausíveis e eu estou ciente de que para que essa calça tenha algum deles, só depende de mim. O que não dá mais é para ela ficar ali no armário, ocupando espaço e roubando lugar de uma que pode servir bem. Ou a gente se acerta, ou ela será descartada. E isso só depende de mim. 

domingo, 21 de outubro de 2012

Confia em mim.


E eu me lembrei do dia que tu me olhou e disse: “Confia em mim, tudo vai dar certo.” O que vai dar certo? E quem disse que eu desconfio de ti? Eu só desconfio da minha capacidade de ter paciência e perseverança. Estou vendo que preciso ter sangue frio,  um sorriso estampado no rosto e um pouco de atitude. Eu, que sempre quis resolver tudo sozinha, sempre tomei a rédea dos meus relacionamentos, fico ansiosa na frente de um telefone esperando um contato teu. E esse contato veio. Foi por volta das três horas da manha de um sábado que tinha tudo pra terminar como a maioria dos outros sábados. Em meio a várias ligações, uma SMS foi a sentença final. “Dorme cmg?” era o que dizia. É claro que sim! Larguei tudo, minha cama quente, minha insônia e meu orgulho. Larguei tudo pra ver esse sorriso, me perder no teu abraço e rir das tuas bobagens típicas da madrugada (que eu adoro, por sinal). Foi muito bom, mas tudo ficou tão cheio de “porém”, como sempre. Agora sou eu que digo: confia em mim, me deixa te ajudar, me deixa cuidar de ti, me deixa te fazer um cara melhor e me faz uma pessoa melhor também. Larga essa insegurança toda e só confia em mim.

domingo, 26 de agosto de 2012

Caderno


Abri meu caderno de cálculo e vi teu desenho. Viajei longe nos meus pensamentos. Lembrei do dia que tu fez ele, eu tava estudando química e tu com essa impaciência paciente foi esperando eu terminar e desenhando. E de como tu fica lindo quando tá concentrado. Assim, lembrei  do tempo que a gente passou junto, das piadas que só a gente entende, dos carinhos que só eu ganhei. Tu não sabe como eu gosto de quando tu me explica o cenário político, a referência histórica daquilo, os acordes da música ou como me mostra os pontos turísticos de Porto Alegre. E como tu fica sexy fazendo isso. Tu não sabe também como eu gosto quando tu canta pra mim e quando tu faz eu me sentir a pessoa mais importante do lugar que a gente tá. Da segurança que tu me passa e do interesse nas coisas que eu falo. Mas por algum motivo que eu não sei qual é, estou vendo que esses momentos maravilhosos que eu passei contigo vão ficar só na memória. Explicação? Eu queria. E esse sorriso envergonhado que eu gosto tanto, queria outras vezes.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Se o amor tivesse fórmula.


Sempre resolvi equações de cabeça, sem precisar nem de papel, nem de calculadora. Lembro e sei executar a maioria das fórmulas que aprendi durante minha vida escolar. Mas não sei te ignorar. Gosto de assistir Woody Allen e Tarantino, entendo a diferença de Cabernet Sauvignon e Merlot e sei comer comida japonesa usando Hashi. Não aprendi ainda a revidar ou relevar tuas palavras duras num momento de raiva. Leio literatura brasileira, estrangeira e biografias aleatórias. Porém, não sei te manter do meu lado. Queria tanto saber resolver os problemas do amor podendo usar uma forma, dançando uma dança de passos marcados, onde tudo fosse previsível. Talvez meu maior problema sempre foi aprender a teoria muito bem antes de partir para prática. Preciso visualizar o futuro, sentir segurança. E isso nunca aconteceu perto de ti. Queria poder usar minha HP 48GX para resolver o amor, mas infelizmente, ainda não inventaram como. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Recado

E quantas vezes você brincou de boneca? É, brincou e brinca ainda com essa boneca aqui. Essa garotinha que sempre acha que pode ter mais de você do que pode lhe dar. É fácil brincar, machucar e colocar ela na caixinha de novo. E você é egoísta: quer ser o único, ter exclusividade. Quer que ela te espere enquanto você vai machucar mais algumas por aí. E ela espera. Ela sempre espera, e o recebe de volta com um sorriso e com brilho nos olhos. As amigas a repreendem, falam que você não presta. Ela promete que não quer mais te ver, não vai mais responder suas mensagens. Mas você vem, a chama pelo apelido fofo, é carinhoso. O mundo desaba, ela se enche de esperança e o coração dela também. A noite foi incrível, mas no dia seguinte, nem sinal. Nada de SMS, ligação. Outra vez, você brincou de boneca. Ela é conivente com isso? Sim, ela sabe que isso irá acontecer. Porém, tenha cuidado, um dia aparecerá alguém que não pretende brincar com os sentimentos dela. E quem vai ficar com a caixinha vazia será você.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Segurança.

Apesar dela não acreditar nisso, sempre lhe disseram que era bonita, inteligente e engraçada. Ouviu também que tem um jeito diferente, um bom coração e é criativa. Mas nada disso importa, ela não consegue acreditar em si mesma. Ela não confia na sua capacidade, e isso faz com que ela abdique de suas vontades. Talvez tenha medo da rejeição, tenha medo de ter que sorrir e fingir que tudo está bem, quando o que mais queria era chorar. Infantilidade? Pode ser. Porém, ela quer prometer pra ela mesma que de agora em diante vai ser diferente, que as coisas irão mudar, e que ela vai acreditar mais em si. E agora, será de uma vez por todas, e não como uma promessa de ano novo, que sempre é quebrada. Ela não quer mudar, quer apenas lapidar e mostrar pro mundo o quão boa pode ser, porque aprendeu que para os outros se encantarem por ela, precisa saber quem realmente é.