Nunca fui uma romântica nata. Não faço declarações de amor,
não digo o que eu sinto. E esse é meu jeito, infelizmente ou não. Acho
engraçado essas pessoas que encontram o amor da vida delas pelo menos quatro
vezes por ano. Fazem as mesmas declarações, amam, amam, amam tanto que em três
meses já trocaram. E partiram para outro. Mesmas coisas, mesmas músicas e
mesmas posições para fotos.
Definitivamente, não tenho essa capacidade de me relacionar
tão facilmente. Me considero tão gelada quanto um frigorífico. Me esforço muito
para ser cordial, simpática. Sou desligada. Acredito que às vezes eu perco
pessoas por não demonstrar o que sinto. Mas poxa vida, por que banalizar o “eu
te amo”?
Muitas atitudes se sobrepõe à esse “eu te amo” manjado. Amor
não é gripe, que pegamos sem querer e em três dias, estamos derrubados por ele.
O amor é o construir junto. É curtir a companhia do outro, sendo numa balada ou
em casa, completamente sem fazer nada. É admirar a pessoa, ficar orgulhoso
dela. Levar ela no cinema para ver aquele filme que tu nem gosta tanto e ir no
show da banda preferida dele. Saber que ela só toma refrigerante sem gelo.Ou
seja, ser preocupar com a pessoa.
Amar é um exercício difícil. É muito mais fácil ficarmos
sozinhos do que estar com alguém. Não precisar dar explicação, não precisar
abrir mão das nossas vontades. A principal característica para amar é ser
altruísta. Amar é saber que existe outras pessoas, que elas tem vontades e que
tu pode ser importante para a felicidade delas. Amar é saber deixar alguém
feliz. Claro que para isso, não é necessário ficar repetindo “eu te amo” e abrir
mão da sua individualidade. Amar é somar e não consumir.
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